Daniel: Fraude Piedosa ou História Fidedigna?

domingo, 11 de janeiro de 2009


O livro de Daniel é um documento histórico confiável! Pena que muitos não pensem desta forma. Para este grupo, o livro deste profeta hebreu não passa de uma fraude piedosa, que pretende narrar eventos futuros, mas que na realidade são profecias dadas depois dos fatos, o que ficou popularizado entre os teólogos como vaticinium ex eventum.

Esta teoria voltou à tona após Reinaldo José Lopes (G1) publicar um texto sobre os estudos de Isaac Newton sobre Daniel. Para Lopes “o consenso moderno” é que a obra não foi escrita no 6º século a.C., como querem os cristãos, mas sim no 2º século a.C. Essa opinião, logicamente, descarta não somente a Bíblia como um guia seguro para a vida do ser humano, mas também tira das mãos de Deus Sua soberania quanto à assuntos futuros.


Aqui estão 3 razões que claramente demonstram que o livro de Daniel foi escrito no 6º século a.C., o que torna suas profecias verdadeiras e as asserções dos escritores modernos falsas. Ao final desta leitura, convido o leitor a julgar e avaliar por si mesmo – são as profecias verdadeiras ou fraudes? Da mesma forma, a opinião não deve ficar apenas no campo das idéias: ou a Bíblia é ou não é confiável!


1º) A Arqueologia tem reconstruído as informações históricas de Daniel.

a)
Toda a história deste profeta hebreu se passa na cidade de Babilônia. Os críticos da Bíblia afirmavam que se Babilônia existiu, não passava de um pequeno clã. A arqueologia bíblica demonstrou o oposto. Os resultados dos estudos do arqueólogo alemão Robert Koldewey feitos entre 1899 e 1917 provaram que Babilônia era um grande centro econômico e político no Antigo Oriente Médio na metade do 1º milênio a.C. (600 a.C.).

b)
Outro ponto de questionamento era sobre a existência ou não de Nabucodonosor, rei de Babilônia na época do profeta Daniel. Mais uma vez a arqueologia bíblica resolveu a questão trazendo à luz muitos tabletes que foram encontrados nas ruínas escavadas por Koldewey com o nome NABU-KUDURRU-USUR, ou seja, Nabucodonosor! Não é incrível, prezado leitor, como um tablete de 2600 anos consegue esmiuçar teorias fundamentadas no silêncio?!

c)
Assim como a opinião dos críticos teve que ser radicalmente mudada a respeito de Babilônia e de Nabucodonosor, o mesmo aconteceu com Belsazar, o último rei da Babilônia. Críticos modernos não concordavam com está informação. Novamente a arqueologia bíblica refutou tal opinião. Vários tabletes cuneiformes confirmam que Nabonido, o último rei de Babilônia, deixou seu filho BEL-SHAR-USUR (Belsazar) cuidando do império enquanto ele estava em Temã, na Arábia. O leitor pode confirmar em Daniel 5:7 que Belsazar ofereceu para Daniel o terceiro lugar no reino, já que seu pai era o primeiro e ele, o segundo.

d)
Até os amigos de Daniel estão documentados nos tabletes cuneiformes da antiga Babilônia. Foi descoberto um prisma de argila, publicado em 1931, contendo o nome dos oficiais de Nabucodonosor. Três nomes nos interessam: Hanunu (Hananias), Ardi-Nabu (Abed Nego), Mushallim-Marduk (Mesaque). Incrível! Os mesmos nomes dos companheiros de Daniel mencionados nos capítulos 1, 2 e 3! Um grande defensor desta associação é o adventista e especialista em estudos orientais William Shea, em seu artigo: "Daniel 3: Extra-Biblical Texts and the Convocation on the Plain of Dura," AUSS 20:1 [Spring, 1982] 29-52. Hoje, este artefato encontra-se no Museu de Istambul, na Turquia.

Resumindo: As informações históricas do livro de Daniel são confirmadas através da arqueologia bíblica!

) Por muitos anos os defensores da composição do livro de Daniel no 2º século a.C. se valiam das palavras gregas do capítulo 3 para confirmarem a autoria de tal obra no período helenístico. Esta opinião apresenta dois problemas sérios:

a)
Há ampla documentação do relacionamento entre os gregos e os impérios da Mesopotâmia antes mesmo do 6º século a.C. Nos registros do rei assírio Sargão II, por exemplo, fala-se sobre cativos da região da Macedônia (Cicília, Lídia, Ionia e Chipre). Se os judeus em Babilônia eram solicitados para tocarem canções judaicas (Salmo 137:3), por que não imaginar o mesmo com os gregos? Um poeta grego chamado Alcaeus de Lesbos (600 a.C.) menciona que seu irmão Antimenidas estava servindo no exército de Babilônia. Logo, não nos deve causar espanto algum o fato de termos na orquestra babilônica instrumentos gregos!

b)
Se o livro de Daniel foi escrito durante período de dominação grega sobre os judeus, por que apenas 3 palavras gregas ao longo de todo livro? Por que não há costumes helenísticos em nenhum dos incidentes do livro numa época em que os judeus eram fortemente influenciados gigantes filosóficos da Grécia? Este fato parece negar uma data no 2º século a.C.

Resumindo: O fato de existirem palavras gregas no terceiro capítulo de Daniel não prova sua composição no 2º século a.C., pelo contrário, um intercâmbio cultural entre Babilônia e Grécia era comum antes mesmo do 6º século a.C.

3º) Daniel foi escrito em 2 idiomas: 1) hebraico (1:1-2:4 e 8:1-12:13) e; 2) o aramaico (2:4b-7:28). Diversos nomes no estudo do aramaico bíblico (Kenneth Kitchen, Gleason Archer Jr, Franz Rosenthal), afirmam que o aramaico usado por Daniel difere em muito do aramaico utilizado nos manuscritos do Mar Morto que datam do 2º século a.C. Para Archer Jr., por exemplo, a morfologia, vocabulário e sintaxe do aramaico de Daniel é bem mais antigo do que estes textos encontrados no deserto da Judéia. Não só isso, mas que o tipo da língua que Daniel utilizou para escrever era o mesmo utilizado nas “cortes” por volta do 7º século a.C.

Resumindo: O aramaico utilizado por Daniel corresponde justamente aquele utilizado em meados no 6º século a.C. nas cortes reais.

Qual a relevância destas informações para um leitor da Bíblia no século 21? Gostaria de destacar dois pontos para responder esta questão:


1) Como foi demonstrado acima, Daniel escreveu seu livro muito antes do cumprimento de suas profecias. Logo, isso nos mostra a Soberania e Autoridade de Deus sobre a história da civilização. Se Deus é capaz de comandar o futuro, Ele é a única resposta para os problemas da humanidade;

2) A inspiração das Escrituras. O livro de Daniel se mostrou confiável no ponto de vista histórico e conseqüentemente profético. Essa é uma realidade com toda a Bíblia, que através de descobertas de cidades, personagens e inscrições, mostra-se verdadeira para o ser humano.

Entendo que alguns escritores modernos neguem a autenticidade do livro de Daniel. O objetivo deste artigo visou apresentar claros fatos e dados específicos que demonstram exatamente o contrário. O livro de Daniel, longe de ser uma fraude, é um relato fidedigno. Ao escavarmos profundamente as Escrituras, podemos encontrar a verdade singular: A Bíblia é um documento histórico confiável.


Luiz Gustavo Assis é formado em Teologia e atua como Capelão no Colégio Adventista de Esteio, RS.

4 comentários:

jacilda disse...

Sou crustã e acho de suma importância que neste século presente os cristãos tenham conhecimentos cientificos e comprovados de determinados fatos bíblicos para não se deixarem enredar por enganos que venham para lhes roubar a fé,sabemos que o inimigo de nossas almas desde o princípio tenta desacreditar a Pessoa de Deus perante a humanidade,mas sabemos que ele já está derrotado desde o sacrifício de Jesus no Calvário.Porém não devemos ser imprudentes ao ponto de deixarmos este conhecimento apenas no campo das idéias,temos também que pedir entendimento ao Senhor como devemos agir.

jacilda disse...

Acabei de deixar um comentário,e percebi que houve um erro na escrita da palavra cristã foi escrita:(crustã),peço perdão aos leitores por esse erro tão grotesco.

Wallace Paulista disse...

Deus abençoe a tds, por este ótimo site, maravilhoso ministério, sempre em defesa da fé!

Ivani Medina disse...

Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. Dentro desses limites reina a teologia e não a história. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.

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