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O pensamento hebraico comparado ao grego

sábado, 15 de junho de 2013


Adotar uma perspectiva hebraica das Escrituras ajuda a entender o pensamento dos autores bíblicos?

Na Antiguidade, dentre as várias cosmovisões existentes, duas, em especial, se destacavam. Grécia e Israel tinham modos bem distintos de pensar. É preciso admitir que os gregos deixaram uma herança muito rica para o Ocidente, nas artes, na ciência e na cultura. Sem eles, não seríamos o que somos hoje. No entanto, do ponto de vista religioso, a influência grega trouxe mais problemas do que vantagens. Se hoje temos tanta dificuldade para entender a Bíblia, em grande parte, isso se deve à nossa mente “helenizada” (é preciso lembrar que os autores bíblicos eram, em sua maioria, hebreus e que até o Novo Testamento, escrito em grego, reflete o modo hebraico de pensar). Daí a importância de entender mais a fundo a mentalidade hebraica antiga.

O objetivo deste artigo é relacionar, de modo sucinto, algumas das principais nuances do pensamento hebraico, comparando-as ao pensamento grego, que, via de regra, é também o pensamento ocidental.

Vale lembrar que nem todos os gregos e hebreus pensavam de maneira idêntica. Havia, dentro de cada cultura, diferentes ramificações quanto à religião e à filosofia. As características abaixo representam cada modo pensar de forma geral, sem levar em consideração as diferentes subdivisões.

Concreto x abstrato

No idioma hebraico antigo (língua predominante do Antigo Testamento), ao contrário do grego, as ideias eram muito mais concretas do que abstratas. Até conceitos abstratos, como os sentimentos, costumavam ser associados a algo concreto.

Em hebraico, a palavra “ira” ou “raiva”, por exemplo, é ’af (Êx 4:14), a mesma que é usada para “nariz” ou “narinas” (Jó 40:24). Mas o que tem que ver nariz com raiva? Geralmente, quem fica com muita raiva respira de modo acelerado, e as narinas se dilatam. Talvez esse seja o motivo concreto por trás da relação entre as duas palavras.

Outro exemplo desse concretismo hebraico é a palavra “fé”, ’emunah (Hc 2:4), que em vez de significar apenas crença ou aceitação mental – como no grego –, expressa também qualidades como firmeza, fidelidade e estabilidade. Ter fé, na visão hebraica, é se firmar em Deus, como uma estaca fincada no chão (ver Is 22:23, onde “firme” vem do verbo ’aman, a mesma raiz de ’emunah). Portanto, crer, do ponto de vista bíblico-hebraico, inclui também a ideia de se apegar a Deus e ser fiel.

Dinamismo x ócio

Na Grécia antiga, dava-se mais valor à falta de ocupação do que ao trabalho, principalmente entre os atenienses. Não ter que trabalhar e se dedicar apenas à contemplação e ao mundo das ideias era considerada a mais nobre das “atividades”. Já os hebreus eram um povo extremamente dinâmico e seu idioma refletia isso.

No português, como em outras línguas, o sujeito vem em primeiro lugar na frase, e o verbo, geralmente, é colocado logo em seguida. Exemplo: “Antônio obedeceu a seu pai.” Em hebraico, a ordem das palavras ficaria assim: “Obedeceu Antônio a seu pai.” Isso mostra o valor das ações para os hebreus.

Até substantivos que, para nós, não implicam necessariamente uma ação, para eles envolviam algum movimento. A palavra “presente” (ou “bênção”), berakah em hebraico (Gn 33:11), por exemplo, vem da raiz brk (“ajoelhar”), e significa “aquilo que se dá com o joelho dobrado”, fazendo referência ao costume de inclinar o corpo ao presentear alguém. A palavra “joelho”,berek (Is 45:23), por sua vez, significa, literalmente, “a parte do corpo que se dobra”.

O conceito hebraico de comunhão – “andar com Deus” (Gn 6:9; Mq 6:8) – também envolve movimento e significa manter um relacionamento constante com Ele. E a palavra “júbilo”,rwa‘ ou ranan (Sl 100:1; 149:5), significa “dar um grito retumbante de alegria”.

Para os hebreus, havia uma íntima relação entre aquilo que se fala e o que se faz. Entendia-se que a palavra de um homem deve corresponder às suas ações. Aliás, “palavra”, em hebraico, significa também “coisa” ou “ação”, dabar. Logo, dizer algo e não agir de acordo implicava mentira, falsidade.

Essência x aparência

Os gregos descreviam os objetos em relação à sua aparência. Os hebreus, ao contrário, consideravam mais a essência e função das coisas. Exemplo: Se nos mostrassem um lápis e nos pedissem para descrevê-lo, como seria nossa descrição? Provavelmente, diríamos: “O lápis é azul”, ou “é amarelo”; “tem ponta fina”, ou não; “é cilíndrico”, ou “é retangular”; “é curto”, ou “é comprido”; etc. Note que em todas essas características a ênfase está na aparência.

Um hebreu descreveria o mesmo lápis de forma bem mais simples e objetiva: “É feito de madeira, e eu escrevo palavras com isto.” Na cosmovisão hebraica, a essência das coisas e sua função eram mais importantes que a forma ou a aparência.

Por isso, os elogios de Salomão à sua amada no livro de Cantares parecem tão estranhos para nós, ocidentais. Dizer a uma mulher: “O teu ventre é [um] monte de trigo” (Ct 7:2) pode não soar bem hoje em dia. Mas, na cultura da época, a imagem do trigo trazia a ideia de fertilidade e fartura (função e essência), e ter muitos filhos era o sonho de toda mulher.

Outro exemplo é a descrição feita sobre a arca de Noé e o tabernáculo do Antigo Testamento (Gn 6:14-16; Êx 25-28). Qualquer um que lê o que a Bíblia diz a respeito dessas construções nota que há muito mais detalhes sobre a estrutura e os materiais empregados na confecção do que em relação à sua aparência.

Além de funcional e essencial, o estilo de descrição dos hebreus era também pessoal – o objeto era descrito de acordo com a relação dele com a pessoa. Ao descrever um dia ensolarado, em vez de dizer: “O dia está lindo”, um hebreu diria: “O sol aquece meu rosto!” Daí a descrição de Davi: “O Senhor é o meu pastor” (Sl 23:1).

Teoria x prática

Na cosmovisão grega, “saber” era mais importante do que “ser”. Para os gregos, sabedoria era o resultado sobretudo do estudo, da contemplação e do raciocínio. O conhecimento era essencialmente teórico, limitado ao mundo das ideias, e o mais importante era conhecer a si mesmo.

Para os hebreus, no entanto, o conhecimento era essencialmente prático. Conhecer era, principalmente, experimentar, se envolver com o objeto de estudo. O conhecimento de Deus era o mais importante, e a verdadeira sabedoria estava em saber ouvir, especialmente a Ele – “Ouve, ó Israel [...]” (Dt 6:4). Na mentalidade hebraica, “temer a Deus” é o primeiro passo para ser sábio (Sl 111:10; Pv 1:7).

Tempo x espaço

Quando queremos incentivar alguém a prosseguir, dizemos: “Bola pra frente!”, e quando queremos dizer que algo ficou no passado, falamos: “Ficou para trás.” Mas quem nos ensinou que o futuro está à nossa frente e o passado atrás? Possivelmente, os gregos. Eles tinham uma visão espacial do tempo, e nós herdamos isso.

Os hebreus (que valorizavam mais o tempo do que o espaço) enxergavam passado e futuro de modo diferente. Para eles, mais importante do que localizar o tempo de forma espacial era defini-lo em ações completas e incompletas (aliás, “completo” e “incompleto” são os nomes que se dá aos tempos verbais do hebraico).

Na mentalidade hebraica antiga, o passado (tempo completo) estava à frente (as palavrastemol e qedem, “ontem” ou “antigamente”, significam também “em frente”), e o futuro (tempo incompleto) estava atrás – mahar, “amanhã” ou “no futuro”, vem da raiz ’ahar, que significa, entre outras coisas, “ficar atrás”, ou “para trás”. (Veja Êx 5:14; Jó 29:2; Êx 13:14 e Dt 6:20.)

E por que eles entendiam o tempo assim? O pensamento hebraico era simples e direto. O passado já foi completado, por isso podemos olhar para ele como se estivesse diante dos nossos olhos. O futuro, porém, ainda está indefinido, incompleto, por isso, ainda é desconhecido e é como se estivéssemos de costas para ele.

História cíclica x linear

Os gregos viam o curso da história como uma espécie de roda gigante. Para eles, a história se repetia eternamente, num eterno vai e vem sem destino.

Para os hebreus, no entanto, a história era linear e climática. Deus foi quem a iniciou (Gn 1:1), e é Ele quem faz com que ela prossiga para um fim, um clímax, o chamado “Dia do Senhor” (yom Yahweh; Sf 1:7, 14; Jl 2:1; 2Pe 3:10). Mas essa descontinuidade da história será apenas o começo da eternidade (‘olam; Dn 12:2).

Deus x “eu”

Na cosmovisão grega, o “eu” (ego) era o centro de tudo. Diz a lenda que à entrada do Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga, havia a frase “Conhece-te a ti mesmo”. Na cultura hebraica, por outro lado, Deus era o centro de todas as coisas. Os hebreus não dividiam a vida, como nós fazemos, em sagrada e secular. Para eles, essas duas áreas eram uma coisa só, sob o domínio de Deus.

Até mesmo as tarefas do dia a dia eram consideradas, de certa forma, sagradas. A palavra hebraica ‘abad – “servir” ou “adorar” (Sl 100:2) – pode ser também traduzida como “trabalhar”. Na lavoura, na escola ou no templo, a vida era vista como um constante ato de adoração (1Co 10:31; Cl 3:2; 1Ts 5:17). Para eles, a adoração era mais do que um evento, era um estilo de vida.

Pensamento corporativo x individualismo
           
Os gregos consideravam a individualidade um valor supremo e praticamente inegociável. Os hebreus, por sua vez, tinham uma “personalidade corporativa” e enfatizavam a vida em comunidade. Na cosmovisão hebraica, havia uma ligação inseparável entre o indivíduo e o grupo. A vitória de um era a vitória de todos, e o fracasso de um representava o de todos. Por isso, para os cristãos, se, por um lado, a falha de Adão lá no Éden representou nossa queda, por outro lado, a morte de Cristo na cruz dá a todos a oportunidade de salvação (1Co 15:22; Jo 3:16). 

Amor: decisão x emoção

No mundo grego, o amor, em suas várias formas, se resumia muitas vezes a um mero sentimento. Na visão hebraica, porém, amor é mais que isso: é uma escolha (em Ml 1:2, 3 e Rm 9:13, “amar” e “odiar” são sinônimos de “escolher” e “rejeitar”). É algo prático, traduzido em ações – a Deus e ao próximo (Mt 22:35-40).

Paz: presença x ausência

No pensamento ocidental, paz depende das circunstâncias. É a ausência de guerras, problemas e perturbações. Mas para os hebreus, paz não implicava, necessariamente, ausência, e sim presença. Só a presença de Deus pode trazer bem-estar, segurança e felicidade – que são ideias contidas na palavra shalom (Jz 6:24).

Integral x dualista

Os gregos tinham uma visão dualista da realidade. Com base nos ensinamentos de Platão, acreditavam que havia dois mundos: o das ideias (ou do espírito) e o mundo real. De acordo com essa visão, o ser humano era formado por duas partes: espírito (ou alma) e corpo. Para eles, o corpo e as coisas materiais eram ruins, e apenas o “espírito” e as coisas do “além” podiam ser considerados bons. Assim, a morte, na verdade, seria a libertação da alma, que, enquanto estivesse no corpo, estaria presa ao mundo material.

Já os hebreus tinham uma visão integral da vida. Para eles, o ser humano era completo, indivisível. Na mentalidade hebraica, alma se refere ao indivíduo como um todo (corpo, mente e emoções). De acordo com Gênesis 2:7, nós não temos uma alma, nós somos uma alma, ou seja, seres vivos (nefesh hayyah, em hebraico). Ao contrário dos gregos, que criam na imortalidade do espírito, os hebreus acreditavam na mortalidade da alma e na ressurreição (Ez 18:4; Dn 12:1, 2).

Espiritualidade x misticismo

Para os gregos, espiritualidade era algo místico. Ser espiritual significava desprezar totalmente a matéria e se conectar ao “outro mundo”. Esse desprezo das coisas materiais variava entre dois extremos. Alguns, por exemplo, renunciavam completamente os prazeres físicos, tais como a alimentação e o sexo, a ponto de mutilar seus órgãos genitais. Outros, por outro lado, se entregavam a todo tipo de sensualidade e orgia. Ambos os comportamentos tinham como base a ideia de que o corpo é mau, e que, no fim das contas, o que importa mesmo é a “alma”.

Mas para a cosmovisão hebraica, o corpo foi criado por Deus, e por isso é sagrado. A Bíblia diz que “do Senhor é a Terra” (Sl 24:1). E enquanto criava o mundo, Deus viu que este “era bom” (Gn 1:10, 12, 18, 21) – e não mau, como acreditavam os gregos. Deus fez o mundo (as coisas materiais), e deu ao ser humano a responsabilidade de cuidar dele.

Para os hebreus, portanto, espiritualidade tinha que ver, sim, com esta vida. Na cosmovisão bíblica, não é preciso se isolar em um monastério, recorrer à meditação transcendental ou entrar num estado de transe para atingir “o mundo superior”. É possível ser “santo” e desenvolver a espiritualidade no dia a dia, nas situações comuns da vida e no trato diário com as pessoas (Lv 20:7; 1Pe 1:16).

Conclusão

Embora devamos muito aos gregos como herdeiros de sua cultura, é fundamental que adotemos uma perspectiva hebraica ao estudar as Escrituras, a fim de que nossa hermenêutica se aproxime ao máximo do modo de pensar dos autores bíblicos, bem como do sentido original do texto.  

(Eduardo Rueda é bacharel em Teologia e editor associado na Casa Publicadora Brasileira)

Fontes: Thorleif Boman, Hebrew thought compared with greek (Norton, 1970); Marvin R. Wilson, Our Father Abraham (Eerdmans, 1989); _________, “Hebrew thought in the life of the church”, The living and active word of God (Eisenbrauns, 1983); Jacques Doukhan, Hebrew for Theologians (University Press, 1993); Ferdinand O. Regalado, Hebrew thought: its implications for adventist education (Universidade Adventista das Filipinas, 2000); Daniel Lopez, doutorando em linguística pela UFF-RJ e professor de Filosofia da Educação na UFRJ; Rodrigo P. Silva, graduado em filosofia, arqueólogo e doutor em Teologia; site .

(Extraído do site: Criacionismo)

Fósseis humanos: Uma visão criacionista

sexta-feira, 3 de maio de 2013


1. Os homens das cavernas realmente existiram?

2. Existem realmente fósseis que se parecem com homens-macacos?

3. Os homens de Neanderthal eram humanos verdadeiros?

4. O que são fósseis humanos “arcaicos”?

5. Que se pode dizer dos Australopithecus?

6. Há alguma seqüência evolutiva que vai dos macacos ao homem?

7. Qual é a explicação criacionista para estes fósseis que têm uma mistura de características humanas e de macacos?

Veja a resposta para essas e outras perguntas, clicando AQUI!!

Teorias da Conspiração e a falsa ideologia crítica

sábado, 30 de junho de 2012

Em 23/03/2012 recebi um email de um leitor do site, que estava com algumas dúvidas com respeito a Bíblia e à sua historicidade. Ele escreveu assim:
"Gostaria que vocês ou seus conhecidos pudessem me dar contraprovas quando a estes ví­deos (para assistir, clique aqui). gostaria que fosse o mais documentado possí­vel, com livros e fontes confiáveis."
A resposta dele foi atendida e iremos mostrar agora, alguns vídeos do Prof. Rodrigo Siva e também colocarei um link para download do artigo que eu fiz desmentindo alguns dos supostos "fatos" apresentados pelo vídeo.




resposta aos minimalistas.pdf
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Para quem quiser saber mais a respeito do Criacionismo e a Arqueologia, por favor entre em contato conosco ou defrute dos mais bem documentados artigos do nosso site.

Entrevista: Nahor Neves [UNASP AN/EC]

sábado, 13 de agosto de 2011

Museu de Arqueologia Biblica do UNASP: Artigos em homenagem ao Dr. Paulo Bork

sábado, 16 de julho de 2011

Museu de Arqueologia Bíblica do UNASP: Artigos em homenagem ao Dr Paulo Bork

Dr Rodrigo P Silva – A origem do Universo

quinta-feira, 26 de maio de 2011


Fonte: Rede Novo Tempo de Telivisão

Os essênios

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Olá pessoal, esse slide recebi de um tio meu e o achei muito interessante e resolvi passar a vocês.
Abraços!

Os_Essenios.pps
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|Breve descrição do modo de vida dos essênios. |2432k

|Wesley Alfredo

A Arqueologia e a Bíblia – Dr. Rodrigo P. Silva

sábado, 16 de abril de 2011

slide-2web

Das muitas definições dadas à Bíblia, é provável que uma das mais interessantes tenha sido a de Gerald Wheeler que definiu a inspiração como “Deus falando com sotaque humano”. De fato, a Bíblia é a Palavra do Altíssimo entrando em nossa história e participando ativamente dela.

Logo, seria interessante lembrar que as Escrituras Sagradas não nasceram num vácuo histórico. Elas possuem um contexto cultural que as antecede e envolve. Suas épocas, seus costumes e sua língua podem parecer estranhos a nós que vivemos num tempo e geografia bem distantes daqueles fantásticos acontecimentos, mesmo assim são importantíssimos para um entendimento saudável da mensagem que elas contêm.

Como poderíamos, então, voltar a esse passado escriturístico? Afinal, máquinas do tempo não existem e idéias fictícias seriam de pouco valor nesta jornada. A solução talvez esteja numa das mais brilhantes ciências dos últimos tempos: a Arqueologia do Antigo Oriente Médio.

Usada com prudência e exatidão, a Arqueologia poderá ser uma grande ferramenta de estudo não apenas para contextualizar corretamente determinadas passagens da Bíblia, mas também para confirmar a historicidade do seu relato. É claro que não poderemos com a pá do arqueólogo provar doutrinas como a divindade de Cristo ou o Juízo final de Deus sobre os homens. Esses são elementos que demandam fé da parte do leitor. Contudo, é possível – através dos achados – verificar se as histórias da Bíblia realmente aconteceram ou se tudo não passou de uma lenda. Aí, fica óbvio o axioma filosófico: se a história bíblica é real, a teologia que se assenta sobre essa história também o será. Talvez seja por isso que ao invés de inspirar a produção de um manual de Teologia, Deus soprou aos profetas a idéia de escreverem um livro de histórias que confirmassem a ação divina em meio aos acontecimentos da humanidade.

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Cenas do Antigo Egito - Coleção

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Faça uma viagem inesquecível através do tempo e recrie a vida cotidiana e a História do Antigo Egito

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Figuras de metal pintadas à mão, que reproduzem personagens, objetos e animais das cenas cotidianas do Antigo Egito, assim como a arte e a cultura dessa época:

• A mumificação
• Os escribas
• O mercado egípcio
• A elaboração de papiros
• A fabricação da cerveja
• A entronização dos faraós
• Os sepultamentos
• A construção das pirâmides
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E muito mais...

Fichas explicativas que orientam a montagem das cenas com a fidelidade necessária e que revelam todos os segredos, curiosidades e detalhes da cena em questão.

Uma magnífica coleção sobre a História e a vida cotidiana do Antigo Egito
No número 1
• O faraó, o trono e o escabelo da primeira cena
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A coleção totaliza 100 fascículos e as miniaturas correspondentes as cenas, e inclui 1 fichário para guardar as fichas de montagem e duas capas para encadernar os fascículos

Todo o rigor histórico com a garantia de Edições Del Prado
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Baixa umidade do ar auxilia a arqueologia

domingo, 19 de setembro de 2010

Sempre houve um mundo de reclamações sobre o tempo seco. Qualquer solzinho nos faz sufocar, quem tem problemas respiratórios enfrenta problemas, os olhos ardem… mas há um setor da ciência que sai no lucro quando a umidade do ar está baixa: a arqueologia. Centenas de novos campos arqueológicos são descobertos com este clima.

Pesquisas recentes mostram marcas feitas em plantações, que supostamente eram acampamentos romanos, da época em que o Império Romano dominava grande parte da Europa, incluindo a ilha britânica. As marcas foram deixadas em antigos campos de cevada, temporariamente improdutivos devido à aridez para o desenvolvimento dessa cultura.
Os arqueólogos envolvidos na descoberta acreditam que se trata de um acampamento móvel do antigo exército romano. Seria um cerco leve, construído como base de defesa para os soldados que partiam em manobras na região. A estimativa é que a descoberta data do primeiro século antes de Cristo, e é um dos quatro sítios arqueológicos descobertos até agora no sudoeste da Inglaterra. Assim, teria mais de 2.000 anos de idade, e seria uma fortificação da gestão do Imperador Júlio Cesar, época de vacas gordas para o Império Romano.

As condições de tempo seco, explicam os arqueólogos, também permitem com que sítios conhecidos possam ser fotografados com mais detalhes. Alguns santuários arqueológicos ingleses, que não eram observados desde uma grande seca que atingiram o país em 1976, voltaram a aparecer neste último verão. Ponto para a arqueologia. [BBC News]

As 10 maiores descobertas da Arqueologia Bíblica

sábado, 3 de julho de 2010

O arqueólogo Walter Kaiser enumera as seguintes descobertas como sendo as dez mais importantes da arqueologia Bíblica:

1. Os amuletos de Ketef Hinnon, contendo o mais antigo texto do Antigo Testamento (séc. VII a.C.);

2. O Papiro John Rylands, contendo o mais antigo texto do Novo Testamento (125 A.D.);

3. Os manuscritos do Mar Morto;

4. A pintura de Beni Hasan, revelando como era a cultura patriarcal 19 séculos antes de Cristo;

5. A estrela de basalto de Dã, descoberta em 1993, que provou, sem sombra de dúvidas, a existência do rei Davi;

6. O tablete 11 do épico de Gilgamés, descoberto, em 1872, por George Smith, que provou a antigüidade do relato do dilúvio;

7.
O tanque de Gibeão (mencionado em 2 Samuel 2:13 e Jeremias 41:12), descoberto em 1833, por Edward Robinson;

8. O selo de Baruque, descoberto em 1975, provando a existência do secretário e confidente do profeta Jeremias;

9. O palácio de Sargão II, rei da Assíria mencionado em Isaías 20:1, descoberto em 1843, por Paul Emile Botta, de cuja existência os
historiadores seculares duvidavam até essa descoberta;

10. O obelisco negro de Salmaneser.

Um exemplo classico de má pesquisa e sensacionalismo barato

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010


A alguns anos atrás no ano de 2002 se não me engano, essa matéria com um titulo nada amistoso como a gente pode olhar na capa da Super Interessante foi uma surpresa para muita gente, você caro leitor nem tem a idéia de que o escritor dessa matéria que realmente chama a atenção de fato, era um jornalista na área de turismo que se mostrou um verdadeiro leigo no assunto de arqueologia biblica, para começar ele fez um resumão de varias partes do livro polêmico de Israel Finkelstein “E A BIBLIA NÃO TINHA RAZÃO”, para se ter uma idéia ele nem se deu o trabalho de pesquisar o outro lado da historia que não concordavam com as alegações do Israelense sendo algumas dessas pessoas arqueólogos de renome e reconhecimento tão respeitados e competentes quanto Finkelstein, pois bem eu achei na internet a carta de um leitor que mandou um e-mail para eles refutando várias afirmações e erros na matéria da revista, mas os caras não publicaram pois sabiam que isso ia pegar mal para eles porque o reclamante tem doutorado de historia pela Escola de arqueologia da Universidade de Liverpool, vejam a carta dele para a revista:

Marcio L. Redondo

Comprei a revista Superinteressante de julho devido à reportagem de capa (A Bíblia passada a limpo), pois trata de assunto de minha especialização.

O articulista, Vinícius Romanini, deve ser elogiado pela sua disposição de tratar de um assunto difícil. No entanto, o artigo ficou muito aquém do que os leitores da revista merecem, pois apresenta demasiadas incorreções. Vejamos algumas:

1) “Torá” não significa “lei” (p. 41, Superinteressante, jul. 2002), mas “instrução”.

2) No seu artigo, Romanini afirma que “o povo hebreu entrou em contato com o mito de Gilgamesh no século VI a.C.” (p. 43). Essa colocação é questionável, pois a descoberta em Megido de um fragmento do Épico ou Mito de Gilgamesh datado de meados do século 15 a.C.
levanta a possibilidade de os hebreus terem entrado em contato com o Épico de Gilgamesh cerca de 900 anos antes.

3) É interessante a declaração de que as “Dez Pragas [do êxodo] seriam o eco de um desastre ecológico ocorrido no Vale do Nilo” (p. 43). G. Hort foi a primeira pessoa a oferecer uma explicação científica plausível ao relato das pragas, inclusive levando em conta os inúmeros detalhes encontrados nesse relato e demonstrando a relação causa–efeito entre as pragas
. Essa explicação sugere que a história das dez pragas é o relato cuidadoso de testemunhas oculares do evento, e não o simples eco de um desastre ecológico. É temerário, portanto, dizer que “o êxodo nunca aconteceu”, como é dito na capa da revista.

4) A afirmação de que os camelos ainda não haviam sido domesticados por volta de 1850 (p. 43) é infundada. Veja-se, por exemplo, a estatueta de um camelo ajoelhado, a qual foi descoberta em Biblos, sendo-lhe atribuída a data de aproximadamente século 19 ou 18 a.C.


5) Ao contrário do que afirma o articulista, a pedra de basalto encontrada em 1993 não menciona a existência de um rei hebreu chamado Davi (p. 45). O texto diz simplesmente bytdwd. O exato significado dessa expressão, que vários estudiosos entendem ser “casa (ou dinastia) de Davi” é objeto de disputa.


6) Romanini rejeita a afirmativa bíblica de que Salomão construiu palácios e fortalezas em Jerusalém. Num raciocínio tortuoso, o articulista diz que “não há sinal de arquitetura monumental em Jerusalém” (p. 45), o que “leva a crer que Salomão, como David, eram apenas pequenos líderes tribais de Judá, um Estado pobre”. Assim sendo, o reinado de Salomão não teria sido caracterizado por opulência e poder e, conseqüentemente, ele não teria construído palácios e fortalezas em Jerusalém e outras cidades. O autor do artigo cometeu um erro fundamental. Mas ele não é o primeiro nem será o último a cometê-lo. Inexistência de prova não é prova de inexistência. Jerusalém foi várias vezes arrasada e reconstruída. Por isso não é de surpreender que eventual arquitetura monumental jamais tenha sido encontrada.

7) Ligada ao ponto anterior, encontramos ainda a afirmação de que foi Omri quem determinou a construção dos palácios de Megido (p. 45) e de que “Salomão nunca ergueu palácios” (p. 46). Essa idéia, que Romanini provavelmente extraiu de sua leitura de The Bible Unearthed (livro mencionado no final do artigo), envolve questões muito técnicas, tais como datação de cerâmica, cultura material de vários sítios arqueológicos e movimentos migratórios de diferentes povos. Contudo, “com base em sólidos argumentos arqueológicos a comunidade arqueológica em geral rejeita a cronologia cerâmica de Finkelstein”.

8) É dito que o livro de Deuteronômio “possui até profecias que afirmam [...] que um rei chamado Josias [...] seria escolhido por Deus para salvar os hebreus” (p. 47). Qualquer leitor cuidadoso da Bíblia sabe que Deuteronômio não traz tal profecia.

9) Finalmente, quanto à origem de Jesus, Romanini começa dizendo que “alguns textos apócrifos dos séculos II e III sugerem que Jesus é fruto de uma relação de Maria com um soldado romano” (p. 47). Logo em seguida Romanini declara taxativamente que ele “casou-se” com Maria para poupá-la de uma possível execução por apedrejamento. É sutil a maneira como o articulista escreve. O que era uma possibilidade (ele usa a palavra “sugerem”), tornou-se fato (“casou-se”). Se tivesse sido coerente com sua linha inicial de raciocínio hipotético, o certo seria dizer que José “teria se casado com ela”. Além disso, ele prefere textos apócrifos do segundo e terceiro séculos da era cristã aos relatos dos evangelhos, que foram escritos poucos decênios após a vida de Jesus, isto é, ainda no primeiro século.Agora, não um reparo, mas uma sugestão. É pena que no final do artigo haja apenas textos em inglês para o leitor que quer conhecer mais o assunto. Há obras em português, como é o caso de Descobertas dos Tempos Bíblicos (São Paulo: Vida, 1999), de autoria de Alan Millard, arqueólogo britânico de renome internacional e catedrático de línguas semíticas na Universidade de Liverpool,Sei que jornalismo científico não é fácil. (Minha única incursão na área limitou-se à tradução de O Buraco no Céu, de John Gribbin, livro que trata do problema do buraco de ozônio na atmosfera e que foi publicado em 1988 por Diagrama & Texto.) Mas, justamente por não ser fácil, é que o jornalista científico deve fazer uma pesquisa cuidadosa, procurando entender as várias questões envolvidas, conheço Superinteressante desde seu início. Sempre a admirei. Mas devo dizer que fiquei decepcionado com a maneira superficial como o assunto em epígrafe foi tratado.

Marcio L. Redondo é pastor batista, coordenador de pós-graduação e pesquisa da Faculdade Teológica Sul-Americana e coordenador para o Paraná do Grupo de Trabalho de História Antiga da Associação Nacional de Professores Universitários de História. É doutor em história antiga pela Escola de Arqueologia da Universidade de Liverpool, Inglaterra

Contribuições da ciência Arqueologia para a Bíblia

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Por Zeljko Gregor


Obelisco Negro (1845), a Pedra Moabita (1868) e os Manuscritos do Mar Morto (1947) são grandes nomes na história da arqueologia bíblica. Mas chegou esta história a seu fim? Não, de modo algum.

Nas últimas décadas, diversos selos, impressões de selos, caixas de ossos e outros artefatos antigos têm vindo à luz —alguns deles em museus, alguns em coleções particulares e outros de escavações recentes. Essas preciosidades arqueológicas têm lançado mais luz sobre vários indivíduos e acontecimentos até há pouco só mencionados no texto bíblico. Este artigo vai recapitular alguns desses achados recentes.


O Anel de Hanan

De propriedade de um colecionador em Paris, este anel valioso é conhecido do mundo acadêmico desde 1984. A origem do selo é desconhecida, mas a forma das letras indica que foi usado durante o século VII A.C. O selo tem uma inscrição de três linhas, cada linha separada por duas linhas paralelas. O anel é quase de um décimo de polegada de diâmetro, sugerindo que foi feito para um dedo masculino. A inscrição lê: “Pertencente a Hanan, filho de Hilqiyahu, o sacerdote”.

Este Hilqiyahu é melhor conhecido como Hilkias, o sumo sacerdote durante o reinado de Josias, rei de Judá na última parte do sétimo século A.C. A terminação yahu é um elemento teofórico (divino), amiúde achado em nomes hebraicos antigos em Judá; os nomes no Reino do Norte levavam a terminação yah. Parece que este Hilqiyahu foi o mesmo sumo sacerdote que descobriu no templo o rolo da lei que desengatilhou uma reforma religiosa em Judá (ver II Reis 22; II Crônicas 34).

I Crônicas 6:13 e 9:11 indicam que Azarias, não Hanan, sucedeu a Hilkias. A explicação podia ser que Azarias sucedeu a seu pai como sumo sacerdote, enquanto seu irmão mais moço, Hanan, funcionava como sacerdote, justamente como a inscrição no selo sugere.

O nome de Azarias, todavia, aparece em outra bulla (impressão de um selo) achado em 1978, durante a escavação de Yigal Shiloh, na velha Jerusalém. A inscrição consiste em duas linhas de escrita separadas por duas linhas paralelas. Reza: “Pertencente a Azaryahu, filho de Hilkiyahu”. A impressão não menciona o título do dono.


A impressão do selo de Baruch

Em 1975, 250 bulas apareceram em Jerusalém na loja de um negociante de antiguidades árabe. A maior parte delas foi comprada por diversos colecionadores, e quase 50 se acham agora no Museu de Israel, enquanto outras podem ser estudadas por especialistas. Todas essas impressões de selos são datadas do fim do sétimo ou do começo do sexto século A.C, justamente antes da destruição de Jerusalém.

Entre essas impressões, três pertencem a indivíduos mencionados em Jeremias (Baruch, o escriba; Yerahme’el, o filho do rei; Elishama, servo do rei). Os três indivíduos parecem ser contemporâneos, vivendo em Judá justamente antes do exílio. Durante aquele tempo turbulento, Judá era governada pelo rei Jeoaquim. Jeremias 36.

A Bíblia nos diz que Deus instruiu Jeremias a escrever um rolo com uma profecia contra o rei. O secretário de Jeremias, Baruque, escreveu tudo que Jeremias lhe ditou. Depois de ler o rolo no templo, Baruque foi instruído a lê-lo de novo perante altos funcionários da corte real. Esses funcionários (Elishama era um deles) eram até certo ponto simpáticos à mensagem, mas temiam por Baruque. Aconselharam-no a se esconder. Jeremias 36:19. Quando o rolo foi lido perante o rei, ele ordenou que fosse destruído e Yerehme’el, com outros dois funcionários, recebeu ordem de prender Baruque e o profeta Jeremias.

A impressão que leva o nome de Elishama é feita de duas linhas de escrita separadas por duas linhas retas paralelas. A primeira reza: “Pertencente a Elishama”; a segunda dá seu título, “servo do rei”. A impressão de Yerahme’el consta de duas linhas também, dando o nome e o título do dono: “Pertencente a Yerahme’el, filho do rei”. A impressão do selo de Baruque consta de três partes, divididas por duas linhas retas paralelas, que rezam: “Pertencente a Bereqhyahu, filho de Neriyahu, o escriba”.

Uma outra bula, com o nome de Baruque, apareceu em 1995. É idéntica à descrita acima, exceto por uma diferença significativa: tinha uma impressão digital que podia ser de Baruque.

Uma terceira impressão de selo que suporta a conexão de Baruque foi achada entre as muitas descobertas na escavação em Jerusalém, em 1978, por Yigal Shiloh. Esta, datada do fim do sétimo e do começo do sexto século A.C., reza “Pertencente a Gemaryahy, filho de Shaphan”. A Bíblia diz que quando Baruque foi ao templo para ler o rolo, ele o leu na câmara de Gemariah, o filho de Shaphan. Jeremias 36:10.

Selo de Abdi

Comprado em 1993 por um colecionador particular de Londres, o selo de Abdi está entre os mais raros. Sua inscrição reza: “Pertencente a Abdi servo de Hoshea”. O selo é datado do oitavo século A.C. O nome Abdi é o mesmo que Obadias. A Bíblia se refere a três Obadias: o primeiro ministro de Acabe, I Reis 18:3; um profeta e um oficial de Hoshea. É improvável que este selo pertencesse a um dos primeiros dois indivíduos, porque o selo associa o nome com Hoshea, o rei sob o qual o dono do selo servia como oficial. Hoshea foi o último rei de Israel. II Reis 17:1-6. Reinou de 731-722 A.C., quando os assírios destruíram o reino.


A inscrição de Dan

Começando em 1966, Avraham Biran escavou o sítio arqueológico de Tel Dan por vários anos, e a descoberta mais importante ocorreu em 1993, quando sua equipe removia o entulho da área do portão da cidade. Parte da muralha, destruída por Tiglate-pileser III em 733/732 A.C., continha um fragmento de um monumento inscrito.

Infelizmente, o fragmento contém uma mensagem incompleta. Tem 14 linhas incompletas escritas em hebraico arcaico, a escrita usada antes do exílio (586 A.C.). As palavras eram separadas por pontos e a inscrição reza como segue:

(2) ...meu pai subiu

(3) ...e meu pai morreu, ele foi para...

(4) real outrora na terra de meu pai...

(5) Eu (lutei contra Israel ?) e Hadad foi diante de mim...

(6) ...meu rei. E eu matei de (entre eles) X infantes, Y char-

(7) retes e dois mil cavaleiros...

(8) o rei de Israel. E matou (...o parente)

(9) g da casa de Davi. E eu pus...

(10) sua terra ...

(11) outro...(ru)

(12) conduziu contra is(rael...)

(13) sítio contra...

O autor desta inscrição pretende que Hadad foi adiante dele, supostamente na batalha. Hadad é o deus arameu da tempestade, e é provável que o dono desse monumento fosse um arameu. Que ele não é o rei é óbvio com base na linha 6, onde ele se refere a “meu rei”. Ele é ou um comandante militar ou um rei vassalo, um devoto de Hadad e subordinado ao rei de Damasco. Todavia, as linhas mais importantes são 8 e 9, onde Israel e a “Casa de Davi” são mencionadas. Esta é a primeira referência à frase: “Casa de Davi”, fora da Bíblia.

Baseado na forma das letras, Biran sugeriu que a inscrição vem da primeira metade do século nono A.C. Ademais, a cerâmica encontrada debaixo do fragmento também indica que foi aí colocada antes da metade do século nono, sugerindo que o monumento foi erigido algumas décadas antes.

Visto a inscrição se achar fragmentada, não sabemos os nomes dos reis de Israel ou de Judá. Isto é ainda mais complicado pelo fato de que o nome do rei arameu não sobreviveu. Por conseguinte, é difícil reconstruir a história exata dos acontecimentos e achar uma conexão bíblica sólida. Todavia, é possível que Dan tenha experimentado anos turbulentos entre c. 885 A.C., quando foi capturada por Benhadad I, I Reis 15:20 e c. 855 A.C., quando Acabe a recebeu de volta de Benhadad II. I Reis 20:34.

Pouco depois de Benhadad ter capturado Dan, é possível que Israel tenha recuperado o controle de Dan. Durante os primeiros dias de Acabe, Dan foi ocupada de novo pelos arameus (provavelmente o dono do monumento), e mais tarde Acabe recebeu-a de volta de Benhadad II. Acabe pode ter destruído então o monumento e usado alguns dos pedaços como material de construção. Isto, todavia, é uma mera reconstrução hipotética, e fragmentos adicionais do mesmo monumento serão necessários para se ter uma melhor idéia dos fatos históricos relacionados com a antiga Dan.


Rolo de prata

Entre 1975 e 1980, Gabriel Barkay descobriu alguns sepulcros em Jerusalém. A maior parte deles, todavia, tinha sido saqueada havia muito, exceto um, Nº 25. O sepulcro foi datado do fim do sétimo ou começo do sexto século A.C., justamente antes do exílio. O sepulcro continha restos de esqueletos de 95 pessoas, 263 vasos de cerâmica inteiros, 101 peças de joalheria (95 de prata, 6 de ouro), muitos objetos esculpidos de osso e marfim e 41 pontas de flechas de bronze ou de ferro. Além disso, havia dois pequenos rolos de prata. Um deles tinha cerca de uma polegada de comprimento e menos de meia polegada de espessura, enquanto que o outro tinha meia polegada de comprimento e um quinto de polegada de espessura. Admitiu-se que esses rolos fôssem usados como amuletos e que contivessem alguma inscrição.

Quando os rolos foram abertos e limpos, a inscrição continha porções de Números 6:24-26: “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti... e te dê a paz”. Esta inscrição é uma das mais antigas e melhor preservadas contendo o nome de Jeová.


A inscrição de Herodes

Em 1996, Ehud Netzer descobriu em Masada um pedaço de vaso com uma inscrição, um óstraco. Este pedaço tinha o nome de Herodes e era parte de uma ânfora usada para o provável transporte de vinho, datada de 19 a.C.

A inscrição é em latim e reza: “Herodes, o Grande Rei dos Judeus (ou Judéia)”, a primeira a mencionar o título do Rei Herodes.


Barco da Galiléia

Por causa de uma seca severa durante 1985 e 1986, o nível do Mar da Galiléia estava consideravelmente mais baixo do que o normal. Shelley Wachmann, perito em arqueologia submarina, organizou uma operação de salvamento do que parecia o esboço de um barco. Depois de muitos dias de luta contra as águas do mar, o barco foi completamento escavado e removido para conservação.

Durante a escavação, os arqueólogos acharam vários objetos (vasos de cerâmica, pontas de flechas, moedas) dentro e em volta do barco. Um exame dos artefatos sugere uma data aproximada para o barco; podia ter estado em uso entre o final do primeiro século A.C. e a segunda metade do primeiro século d.C. Além da datação pelos artefatos, os escavadores mandaram amostras para um laboratório para datação por Carbono 14. Esses testes sugeriram uma data semelhante.

Segundo o historiador Josefo, essa parte da Palestina passou por uma severa turbulência e destruição durante a primeira revolta judaica (67-70 D.C.). Durante o primeiro ano da revolta, os judeus prepararam uma frota de barcos de pesca em Migdal. Depois que Tiberíades caiu nas mãos de Vespasiano, os romanos construíram um campo fortificado entre Tiberíades e Migdal. À noite, os judeus lançaram um ataque de surpresa, e então escaparam para o Mar da Galiléia. No dia seguinte, a frota romana atacou os judeus no mar, empurrando-os para a margem, onde foram massacrados. O número de mortos foi calculado em 6.700.

O barco tinha 26,5 pés de comprimento, 7,5 pés de largura e 4,5 pés de altura. Os arqueólogos sugerem que foi construído para levar até 15 pessoas. Um barco como esse podia facilmente ter acomodado Jesus e Seus discípulos em suas muitas viagens através do Mar da Galiléia.



O nome de Caifás numa caixa de ossos

No mês de novembro de 1990, uma caverna sepulcral foi descoberta na Floresta da Paz, ao sul de Jerusalém. Os escavadores acharam vários ossuários ou caixas de ossos, algumas viradas de cabeça para baixo (sinal de que a caverna tinha sido arrombada); todavia, algumas ainda no lugar onde tinham sido postas originalmente. A escavação produziu ossos de seis diferentes indivíduos: duas crianças (2 a 5 anos de idade), um menino de 15 anos, uma mulher adulta e um velho de cerca de sessenta anos. No tempo de Jesus, os judeus tinham o costume de usar esses ossuários para um segundo enterro dos restos de seus mortos. O corpo era colocado numa caverna para decompor, e então os ossos eram postos numa caixa ou ossuário.

Dois dos ossuários tinham tampas. Estas tampas eram feitas de pedra calcárea e eram de maior valor que as outras porque tinham o nome de Caifás inscrito no lado mais estreito de cada caixa. Uma dessas caixas era lindamente esculpida, indicando que pertencia a uma pessoa importante e rica. A inscrição rezava: “Joseph, filho de Caifás”. Isto não indica necessariamente que Caifás era um parente próximo de José. Caifás pode ser um nome de família.

Os ossos do velho eram provavelmente do homem chamado José. Infelizmente, a Bíblia não dá o nome real do sumo sacerdote por ocasião do julgamento de Jesus. Dá-nos apenas a versão grega de Caifás. Contudo, Josefo menciona o nome completo: Joseph Caiaphas, que serviu como sumo sacerdote de 18 a 36 d.C.



O envolvimento da Andrews University

A Andrews University tem feito escavações na Palestina desde o final de 1960, quando Tell Hesban foi escavada sob a direção do falecido Siegfried Horn. Depois da escavação ter sido completada no final de 1970, a Andrews University começou uma outra operação sob o nome de MPP, o Projeto das Planicies de Madaba. O alvo principal foi Tell el-Umeiri, um sítio ao sul de Amman, capital da Jordânia. Durante a primeira temporada de escavações em 1984, acharam uma impressão de selo interessante. Simplesmente reza: “Pertencente a Milkom’or o servo de Ba’alyasha”. Na Bíblia hebraica, esse nome é soletrado um pouco diferente (Ba’alis). É mencionado apenas uma vez e representa o nome de um rei amonita. Jeremias 40:14. Antes desta descoberta, Ba’lyasha (Baalis) era conhecido somente pelo texto bíblico.

Tell el-Umeiri era uma das cidades rubenitas. Depois de várias temporadas, os escavadores descobriram um sistema de fortificação feito de paredes duplas, baluarte e uma valeta seca na base do sítio. Essa fortificação do período inicial do Ferro I (c.1200 A.C.) é a mais bem preservada em toda a Palestina.

Além de Tell el-Umeiri, o time da MPP iniciou a escavação de outro sítio importante, Tell Jalul, em 1992. Este é um dos maiores sítios na Transjordânia. Depois de várias temporadas de escavações, o time descobriu uma estrada pavimentada que levava ao portão da cidade (século 9º/ 8º A.C), e um grande edifício com colunas (7º/6º século A.C.), que se crê seja um armazém. É possível que esse sítio fosse a Hesbom do rei Seom, destruída pelos israelitas no tempo da conquista.

Descobertas arqueológicas como essas, que ocorreram nos últimos anos, continuam a enriquecer nossa compreensão da Bíblia e fortalecem nossa confiança em seu conteúdo como um documento histórico digno de confiança.

Nascido na Croácia, Zeljko Gregor (Ph.D., Andrews University) é um especialista em Arqueologia Bíblica. Escreveu recentemente vários artigos para Eerdmans Dicitionary of the Bible (1997). Seu endereço: 4766-1 Timberland; Berrien Springs, MI 49103; E.U.A. E-mail: gregor@andrews.edu.
Notas e referências


1. Josette Elayi, “Name of Deuteronomy’s Author Found on Seal Ring,” Biblical Archaeology Review 13 (1987), págs. 54-56.

2. Yigal Shiloh, “A Group of Hebrew Bullae From the City of David,” Israel Exploration Journal 36 (1986), págs. 16-38.

3. Hershel Shanks, “Fingerprint of Jeremiah’s Scribe,” Biblical Archaeology Review 22 (1996), págs. 36-38.

4. Andre Lemaire, “Name of Israel’s Last King Surfaces in a Private Collection,” Biblical Archaeology Review 21 (1995), págs. 48-52.

5. Avraham Biram e Joseph Naveh, “An Aramaic Stele Fragment from Tel Dan,” Israel Exploration Journal 43 (1993), págs. 81-98.

6. Gabriel Barkay, Ketef Hinnom: A Treasure Facing Jerusalem’s Walls (Jerusalem: The Israel Museum, 1986).

7. Shelley Wachmann, “The Galilee Boat”, Biblical Archaeology Review 14:5 (1988), págs. 18-33; e Claire Peachey, “Model Building in Nautical Archaeology; The Kinnereth Boat”, Biblical Archaeologist 53:1 (1990), págs. 46-53.

8. Zvi Greenhut, “Burial Cave of the Caiaphas’ Family”, Biblical Archaeology Review 18:5 (1992), págs. 29-36; e Ronny Reich, “Caiaphas’ Name Inscribed on Bone Box”, Biblical Archaelogy Review 18:5 (1992), págs. 38-44.

Fonte: http://www.usb.org.br/canais/index2.php?option=com_content&task=view&id=1129&pop=1&page=0&Itemid=257

Conheça mais sobre a Arqueologia Bíblica - As Maiores descobertas Arqueologicas

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Algumas das maiores descobertas da Arqueologia Bíblica.

  • O Papiro P52[13]:
O Papyrus P52 da Biblioteca de Rylands é o texto mais antigo que se conhece do Novo Testamento. Foi descoberto em 1920, no deserto do Médio Egito, e tornou-se público em 1935[14].
  • As cavernas de Qumrán[15] descobertas em 1947 por beduínos e cujas escavações iniciaram-se em 1950.
  • Entre 1962 e 1963 foi encontrado o Papiro[16] de Wadi Daliyyat, conhecido pelo Papiro de Samaria, da época persa.
  • Em 1964 foi descoberto o Papiro de Ketej-Jericó da época persa-helenística[17].
  • Em 1991 foi descoberta a chamada Tumba de Caifás[18]
  • Em 1993 foi descoberta a Estela deTel Dan
Trata-se duma pedra de basalto escuro que menciona a "Casa de Davi", com a inscrição bytdwd, (byt casa dwd Davi)[19].
  • Em 1996 foi descoberta a inscrição de Ecrom (Tel Mikné) contendo o nome da cidade filistéia de Ecrom e uma lista dos seus reis.
  • Em 1997 foi descoberto o antigo monastério de Katisma.
  • Em 1998 foi descoberta a Sinagoga de Jericó datada do ano 75 a.C. (Ehud Netzer).
  • Em 2001 foi descoberta a Estela de Joás, rei de Judá[20].
  • Em 2007 foi encontrado o túmulo de Herodes.

A arqueologia bíblica é também objecto de célebres falsificações motivadas por múltiplos interesses. Uma das mais conhecidas surgiu em 2002 quando se publicou o suposto achado de um túmulo (ossário) com uma inscrição que dizia "Tiago, filho de José e irmão de Jesus". Na realidade, o artefacto havia sido construído apenas vinte anos antes, portanto numa época muitíssimo posterior. As características do objecto encontrado não correspondiam ao padrão do Século I,[21] revelando a sua falsidade e expondo as estranhas circunstâncias relacionadas com a sua posse e descoberta.